Cara Delevingne é capa da revista ELLE UK do més de Agosto. A atriz, modelo e escritora concedeu uma entrevista para a revista onde fala principalmente do seu primeiro romance “Mirror, Mirror” que irá lançar no dia 05 de Outubro, em sua versão original (Em inglês).

A entrevista foi feita pela autora Best-Seller Jennifer Niver, confira a entrevista completa e traduzida abaixo:

Uma hora antes de eu sair para encontrar Cara há uma mudança de planos. Um carro irá me pegar e me levar até o local onde ela está fazendo o ensaio fotográfico, mas ao invés de eu conduzir a entrevista no local, Cara e eu iremos pegar outro carro e iremos conversar durante o caminho para seu próximo compromisso. E então eu serei deixada em algum local que eu desconheço, onde um terceiro carro irá aparecer e me levar para casa. É tudo muito Hollywood. Eu vivi em Los Angeles por 20 anos, e esse é o tipo de coisa que pode acontecer quando se trabalha com celebridades.

Aqueles olhos são mais impressionantes pessoalmente. Ela parece uma guerreira.

Na hora do primeiro motorista eu cheguei em algum lugar montanhoso e cheio de poeira em Shadow Hills, eu irei igualar o lugar com o Australian Outback. Nós passamos por um grande portão, e voltamos a subir por uma rua feita por cobras, onde a vista e a casa são de palpitar o coração, onde o céu parece mais azul em contraste com todo o branco.

Eu sou informada de que Cara esta dentro do castelo – como se sabe – ainda tirando fotos para a capa da ELLE, então eu sento do lado de fora no sol e aguardo por ela.

Eu sou uma autora de livros para jovens adultos, incluindo os livros “Holding Up The Universe” e “All The Bright Places”, e todo o momento que eu aguardo por Cara, quem acabou de escrever seu primeiro livro (ela descreve como ‘uma historia sobre crescimento dos amigos de 16 anos, Red, Leo, Naima e Rose, onde todos estão tentando descobrir quem são e navegar entre a escola e os relacionamentos’), eu fico imaginando como muitos dos meus leitores gostariam de estar aqui agora. Com 25 anos, Cara é um exemplo. Ela é um ídolo e uma defensora. Ela é conhecida pela sua honestidade. Ela é famosa por odiar ser rotulada, tanto quanto a sua carreira quanto a sua sexualidade. Ela fala o que pensa sobre os problemas que afetam os jovens atualmente – saúde mental, suicídio, auto-mutilação, corpo, identidade sexual, bullyng – e ela deixa eles saberem que não estão sozinhos. É a mesma mensagem que eu venho dividindo com os meus leitores ao redor do mundo, então é em quem eu devo investir. Eu sei como essa mensagem é importante para os adolescentes. Eu sei o quanto eles precisam e merecem ouvir isso.
Eu sento no sol e espero que Cara seja tão pura quanto aparece. Como quem passa sua vida dando sua voz para os jovens, que estão sofrendo, autenticidade é importante para mim. Trinta minutos depois eu sou convidada para encontrar com ela dentro do castelo.

“Eu sempre tive essa conexão com os adolescentes”

“Eu peço desculpas pela mudança de planos” diz ela. Ela me abraça forte, e meu primeiro pensamento é de que ela é pequena. Delicada. Ossos finos. Amável. Aqueles olhos são mais impressionantes pessoalmente. Ela parece uma guerreira, como Joana Darc, seu cabelo curto, mas tem uma fragilidade sobre ela – talvez seja seu tamanho – que me faça querer protege-la. Tem mais alguma coisa sobre ela, entretanto. Ela está em casa sozinha, com o seu arredor, e tem algo nisso que me faz instantaneamente sentir em casa.

Seu motorista trouce para ela comida do In-N-Out Burger, uma cadeia de fast-food da cultura californiana. Nós o seguimos até o carro e entramos no banco de trás. Cara teve um longo dia e ainda tem horas para acabar. Ela boceja e pede desculpas por seu cérebro, que está danificado pelas viagens e em necessidade de comida. Eu falo para ela comer. Ela abre o pacote, cheira, fecha e diz que irá comer depois. Ela quer focar na entrevista, e a comida irá distrair ela.

Por um quilometro ou dois, nós conversarmos sobre a gloria que é o In-N-Out Burger, sobre a historia do Furst Castle, e sobre o calor que é Los Angeles contra o gelo de sua nativa Inglaterra.

Nesse ponto eu percebo, passando por uma rua e outra, que eu não estou prestando atenção para a minha lista de perguntas. Nós estamos apenas conversando e rindo, o que é fácil de se fazer com Cara. Você esquece que esta com uma celebridade. Você sente que esta se divertindo com uma amiga inteligente e engraçada. Uma amiga que vê e sente o mundo intensamente. Mas, como estamos limitadas a essa viagem de carro, eu preciso fazer minhas perguntas.

Primeiras coisas primeiro, seu romance, “Mirror, Mirror”, um romance misterioso para jovens adultos que ela co-escreveu com o autor britânico Rowan Coleman. Eu digo a ela que li o livro, e que ele é bom. “O que? Você leu ele?” ela pergunta surpresa. Seus olhos aumentam. “Por favor me diga, porque eu não falei com basicamente ninguém mais que leu o livro.” Ela parece exitada, ansiosa, e genuinamente lisonjeada. Eu digo a ela o que eu amei no livro – os relatos dos personagens, especialmente o principal, Red. Você pode sentir a animação dela. Olhos brilhando, mãos abanando, ela fala rápido e com uma paixão obvia por Red, que foi o primeiro a levar ela para a historia. “Red foi o personagem inicial, depois os outros apareceram por consequência. É o núcleo do grupo de amigos que temos quando jovens, que nós queremos explorar, e a essência de crescer em Londres. A ideia foi primeiramente baseada – como é chamado – Alice…’Go Ask Alice?’ ‘Beatrice Sparks’ Go Ask Alice! Obrigada. Não tão obscuro quanto isso, mas obviamente nos dias modernos, mas as mesmas inseguranças de não saber quem você é.” O tipo de livro que você leva com você. Eu digo a ela que eu sinto que “Mirror, Mirror” é um desses. “Isso é tudo que eu mais sonhei para esse livro”.

“Eu tenho a oportunidade de ser honesta, sobre o quanto eu sofri”

Eu não digo isso a ela, mas antes de ler “Mirror, Mirror”, eu estava cética. Muitos livros de celebridade são escritos por outras pessoas, muitas celebridades dizem ser apaixonados por uma causa, mas na realidade, não são. Como essa modelo internacional, atriz e músico teve a vontade de escrever um romance? “Eu sempre tive essa conexão incrível com adolescentes, desde que comecei com a mídia social. Apenas tendo garotas me enviando mensagens como, ‘Eu estou lidando com a pressão dos meus pensamentos, dos meus amigos, distúrbios alimentares.’ Esse tipo de coisa, onde eu estava como, eu tenho uma oportunidade de estar realmente lá por eles e ajudar. Você sabe, ser uma voz para os adolescentes e ser honesta sobre como eu sofri como uma adolescente.”

Tem algo em sua voz que eu reconheço: paixão e empatia. Eu posso ver em seu rosto – ela sente o que eu sinto. Ela sabe a responsabilidade que ela tem. Você não pode fingir isso. Eu quero saber como ela era quando adolescente, e se tem algum livro ou música que fez ela se sentir menos sozinha enquanto crescia.

“Eu escutava muito Fiona Apple. Ela tem uma maneira incrível de articular como sua mente e emoções funcionam. Eu acho que um problema para mim foi que eu não descobri o incrível poder dos livros até estar mais velha. Apenas porque livros, para mim, parecia como escola. E eu tinha um grande medo da escola e das provas porque eu não era boa – meu cérebro não trabalha daquela maneira. Demorei um tempo para estar como ‘Wow, livros são a coisa mais incrível'” Tem um livro que ela lembra ter descoberto enquanto ficava mais velha? O primeiro livro que fez ela sentir: “Oh! Sabe de uma coisa? Isso não é apenas sobre provas e escola”?

Ela encara para fora da janela, claramente pensando sobre minha pergunta. Depois de vários segundos, ela volta novamente para mim, com o rosto para cima. “O livro que eu provavelmente mais li é de Lena Dunham (Not That Kinf Of Girl). Um milhão de vezes, porque eu amo esse livro; a honestidade e seu humor cru. Eu realmente gosto do obscuro porque é maluco de ver a dor e as coisas que as pessoas passam sem contar para ninguém.”

Ela sabe a responsabilidade que ela tem. Você não pode fingir isso.

Quando eu questiono se ela já tinha feito algum tipo de escrita criativa quando estava na escola, ela diz “Eu digo, nós todos temos que fazer escrita criativa e inglês, mas eu não gostava muito porque eu me sentia forçada a fazer. Enquanto agora, é tudo que eu faço. Eu acabei de passar uma semana sozinha na Alemanha. Andando pelos Alpes, escrevendo e sentando no topo de alguma montanha. Isso é quando eu sinto que consegui atingir o objetivo dos meus dias.

Nós concordamos: Escapar para a natureza da a você o que você precisa para criar.

Eu pergunto a ela se a atuação foi algo influenciado pela sua necessidade de criar suas próprias historias. É claro que ela é uma contadora de historias – através da música, atuação e até mesmo da modelagem, e agora pela via de palavras escritas. Ela confirma com a cabeça. “Claro. Se eu não tivesse ido para a atuação, eu gostaria de ser uma psicologa de crianças ou terapeuta. A maneira que as pessoas tem relações com as outras – eu acho isso muito interessante. Quando eu comecei a atuar e me coloquei na vida de outras pessoas, isso me fez muito mais atenta. Contar historia junta as pessoas. Todos os filmes que eu fiz me fizeram perceber coisas sobre mim mesma e a maneira que eu posso me conectar com o personagem.”

Então como foi o processo de escrever o livro? No momento em que ela decidiu escrever um romance, ela se encontrou com diferentes possíveis co-escritores. E quando ela conheceu Rowan, ela soube. Como ela disse, foi como fogos de artifícios. “Foi como uma reação química.” ela me disse, “Eu não sabia o quão boa você seria com isso, mas estou impressionada.” Vindo de uma escritória incrível, isso é incrível de ouvir.

“Meus amigos mais próximos são como família. Eles me ajudam a me levantar.”

Então, “Mirror, Mirror”. Tem um personagem que ela se identifica mais? “Red; ela toca bateria, é uma garota-moleque. Para ser honesta, eu sinto que coloquei um pouco de mim em cada um deles.” Ela continua: “Quando eu era adolescente, eu estava em uma banda. Isso é tão importante, que os adolescentes tenham algo assim fora da escola, onde possa se conectar com os amigos, se expressar ou conhecer pessoas que não estão no mesmo circulo social, ou que não são ‘as crianças legais’, tanto faz. Porque esses são os amigos que você acaba tendo para a vida.”

“Quão importante é a amizade na sua vida?” Eu questiono. “Muito importante. Uma das razões de eu ter escrito esse livro, porque eu não estaria aqui hoje se não fosse pelos meus amigos e família. Meus amigos mais próximos, pessoas que eu chamo de meus melhores amigos, são como família. Eles me ajudam a me levantar.”

Eu perco a noção de que falta apenas alguns quilômetros para a entrevista terminar. Eu perco a noção porque eu estou adorando conversar com Cara. Essa pessoa fascinante, complexa e real. “O que você acha que foi o aspecto mais difícil de crescer, de ir de uma garota para adolescente para mulher?” eu pergunto. “Qual você acha ser o pior estagio, se existe um?” ela responde: “Quando você esta vivendo, todos os momentos parecem ser o mais difícil. E quando você olha para trás, parece que foi mais fácil. É difícil de apreciar, porque tem tanta coisa acontecendo, em termo dos hormônios e pressão, quando adolescente. Tanta pressão! E isso foi o que eu quis mostrar nesse livro. Com a mídia social, e a pressão de ter que ser ‘perfeita’ – você está apenas tentando encontrar sua identidade. A pressão disso já é muito grande.”

Eu me questiono qual foi a fase mais difícil de ela navegar. Ela exala, como se estivesse segurando o ar a muito tempo. Mexe a cabeça. “Quer dizer, eu sou tão sortuda. Eu estou vivendo meu sonho agora. Eu tenho uma vida incrível, podendo experimentar tanto. Eu não sei. Provavelmente a adolescência, especialmente com a escola e não ter um tempo para mim. E não pedir ajuda, ou falando ‘olha, eu estou sofrendo.’ Essa foi a maior lição que eu tive que aprender: expressar minhas emoções. Eu ainda estou aprendendo como fazer isso.” Não existia ninguém com quem ela conseguisse conversar? “Parecia como se eu estivesse completamente sozinha e eu não podia me expressar porque eu sentia vergonha das minhas emoções. Eu quero ter certeza de que as crianças saibam que emoções e vulnerabilidade são coisas importantes e que devem ser faladas. Nós estamos sozinhos, mas estamos nessa juntos. Nós todos somos humanos, passamos pelas mesmas coisas.”

Essa é a mulher que passa muito tempo nos olhos do público. Eu quero saber qual foi a experiencia que ajudou ela a entender o que essas crianças estão passando. Ela leva o próprio tempo para responder, suas sobrancelhas se juntam.

“Quando você é um adolescente, você está procurando alguém para idolatrar. Ver o efeito que pessoas como eu tem sobre os adolescentes agora me fez consciente de que se eles precisam de modelos fortes e positivas que estão tentando fazer o bem fora de si mesmas.”

Eu penso sobre os jovens que eu escuto na mídia social, aqueles que estão passando por algo em silencio, e eu suspeito de que Cara também passe. Depois eu pergunto a ela o que faz ela se sentir empoderada. Pode ser qualquer coisa – grande, pequeno, insignificante, profundo. “Estar sozinha ou sair caminhar, escrever ou apenas fazer coisas pelas outras pessoas. Ajudar pessoas. Você pode encontrar coisas que te empodere em qualquer coisa. É apenas sobre estar no momento e ser você mesma. Você não pode pensar sobre isso – é um sentimento que vem de dentro.”

Cara diz que esta confortável em sua própria pele. “Aceitar isso é um processo diário,” ela diz. “É sobre amar a si mesmo, ter certeza de que tirou um tempo para se respeitar. É sobre não se culpar sobre tudo.”

Qual a mensagem que ela quer que os leitores tirem de “Mirror, Mirror”? “Que a vida é uma mistura de desastres maravilhosos. Algumas vezes, você não estará habilitado para ir até alguém, então você precisa dessa força em você para que você saiba que você consegue e que tudo ficará bem. Saber que você pode conversar com outras pessoas. Tem mal entendidos e coisas dão errado, mas não julgue as pessoas. Tente entender os outros, e tente ver de onde as pessoas estão vindo.”

E é nesse momento que nós paramos o carro na Laurel Canyon Store. É aqui que Cara e eu iremos nos despedir. Essa viagem foi rapido demais, mas eu tenho apenas mais uma pergunta. Eu tiro meu cinto e me viro para ela. “Essa experiencia de inspirou a escrever mais?”

Uma expressão intensa surge. Seu rosto fica claro como o céu da Califórnia. “Sim. Tem muito mais que eu quero escrever. Isso é algo que eu quero fazer pelas outras pessoas, mas honestamente para mim também. Eu queria saber se eu poderia. E se apenas uma pessoa tirar algo positivo do meu livro, é tudo que eu me importo.”

Fonte: ELLE UK

 

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